A epopéia rumo ao coração do Brasil partiu da Igreja de São Francisco, em Nova Iorque, no dia 12 de setembro de 1943. Era um domingo à noite, quando 14 frades, autênticos bandeirantes da fé, migraram para o Brasil, com o intuito de escrever um novo capítulo da história da Província do Santíssimo Nome de Jesus e da igreja na América Latina.
A vinda desses religiosos ao Brasil se deu em um período
de conflitos armados que assolaram a década. Tal conjuntura política
e econômica não foi empecilho para os frades, que mesmo diante
da viagem dificultada pelos contratempos da guerra, os desafios de adaptação
à cultura tropical e a diferença entre os idiomas, não
temeram a nova experiência de propagar a palavra de Deus em solo goiano.
Foi o então Arcebispo de Goiás, Dom Emanuel Gomes de Oliveira,
quem viabilizou a vinda dos missionários da Ordem Franciscana para Goiás.
Como o oceano Atlântico estava completamente ocupado, eles vieram pelo
Pacífico, contornaram a América do Sul, e foram para São
Paulo. Em seguida, migraram para Anápolis, Catalão, Pirenópolis
e Goiandira.
Em toda a década de 40, os franciscanos construíram conventos e igrejas, e junto a elas edificaram escolas, para unir a educação ao ensino religioso. Na década de 50, a Ordem convidou algumas congregações religiosas femininas, entre elas as irmãs Franciscanas de Allegany. Elas aceitaram o desafio e vieram para Goiás com a missão de cooperar na implantação da igreja e na pregação do Evangelho no Centro-Oeste.
Ainda nesta época os fiéis, incentivaram o surgimento de movimentos leigos, para ajudar nas atividades da igreja. Em 1959, a Ordem foi fundada em Brasília, juntamente com a Paróquia Santo Antônio, uma das primeiras igrejas da capital Federal. No ano seguinte, na década de 60, a missão migrou para o Tocantins. Em 1970 já somavam 14 paróquias e teve início a promoção vocacional para formar frades goianos.
Não tem como falar da história da Província
do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil sem destacar quatro homens que
foram fundamentais para a vinda dos frades: Dom Emanuel Gomes, Frei Matheus
Hoepers, OFM, Frei Mathias Faust, OFM, e Frei Paulo Seibert. O primeiro era
o então arcebispo de Goiás, o segundo Ministro Provincial da Província
da Imaculada Conceição do Brasil, em São Paulo, o terceiro
o delegado geral da Ordem dos Frades Menores, em Nova Iorque e o quarto foi
o primeiro Superior do Comissariado, em 1943.
Em decorrência da falta de padres no território goiano, o arcebispo
Dom Emanuel Gomes entrou em contato com Frei Matheus Hoepers, que imedia-tamente
atendeu à solicitação e encaminhou uma carta ao delegado
geral, Frei Mathias Faust, apresentando o pedido. Segundo os registros históricos,
a carta de Frei Hoepers foi enviada em 1943 e no mesmo ano chegou a primeira
missão em Goiás.
A primeira visita do superior Paulo Seibert a Anápolis contou com o apoio de outro frade que é necessário ser destacado, Frei Cipriano Bassler. O então provincial do Comissariado do Mato Grosso, foi quem encontrou com o ‘pioneiro’ em São Paulo e por ter sido pároco de Pirenópolis, e conhecer a região, se ofereceu para acompanhá-lo até o Estado de Goiás.
Ao chegar em Nova Bonfim, Frei Paulo Seibert conheceu Dom Emanuel Gomes e partiram para Anápolis. De acordo com os relatos, a viagem durou apenas dois dias. Durante o percurso o arcebispo de Goiás, Dom Emanuel Gomes, relatou ao franciscano as belezas e os desafios do Estado. Ele informou também que originariamente as quatro paróquias destinadas aos frades seriam: Anápolis, Corumbá de Goiás, Jaraguá e Pirenópolis.
No município Frei Paulo Seibert conheceu de perto a ‘realidade local’. Tanto é que ao retornar a São Paulo falou claramente aos demais frades que os desafios e sacrifícios eram inúmeros. No entanto, nenhum dos 'bandeirantes da fé' desistiram da missão.
No dia 20 de janeiro de 1944 o Comissário e seus dois conselheiros fizeram a primeira reunião oficial do Comissariado. Eles escolheram Anápolis como sede da então Comissaria e os frades foram escalados para as quatro paróquias. E decidiram partir imediatamente.
Sem saber dessa decisão, segundo os registros arquivados na sede da Província, Frei Mathias Faust escreveu a Frei Mateus Hopers no dia sete de fevereiro: "Espero que eles não cometam o erro de partir logo para Goiás. Eu aconselharia, com grande insistência, que eles ficassem até estarem completamente capacitados a se defenderem, permitindo, porém, a um ou outro ir para Goiás e preparar resistência para os outros." Naquela altura os frades já estavam em Goiás.
Após a instalação os frades conheceram de perto a “pobreza ultrafranciscana” a qual Dom Emanuel se referia em suas cartas. Aos poucos eles foram se adaptando e 'realizando os sonhos’ do arcebispo. Ainda segundo os registros, na maioria dos lugares em que os frades assumiram trabalho pastoral fundaram escolas paroquiais sob a direção das Irmãs Franciscanas de Allegany e os colégios a cargo dos Frades.
Trechos da carta enviada por Frei Paulo Seibert a madre Jean Marie, demonstra a expectativa dos Frades quanto ao apoio das irmãs. "O que no início parecia indispensável, agora é uma necessidade absoluta. Creio não exagerar em dizer que precisamos de irmãs com a mesma urgência que de padres". E continuava: "Não há a mínima dúvida de que o Comissário será uma fundação permanente, onde homens e mulheres zelosos poderão traba-lhar por Deus e pelas almas, num campo de preemente necessidade, onde os trabalhos hão de produzir à razão do cem por um, ou melhor, dez mil por um!"
Sob a direção de Frei Paulo Seibert, com a generosa contribuição da Província com recursos humanos e financeiros, o primeiro decênio notabilizou-se por um grande crescimento em números de religiosos, construções de escolas, conventos e igrejas. Estavam lançadas as bases para uma nova fase que se avizinhava.
Edificação - O Comissário e os frades que trabalhavam em Goiás, de comum acordo com o Provincial resolveram que a construção das igrejas paroquiais seria levada à frente só com a ajuda financeira do povo. Pretendia-se evitar, assim, aquele paternalismo que enfraquecia o senso de responsabilidade própria da parte dos fiéis. As casas para os religiosos, porém, como também os conventos para as irmãs e os prédios escolares, as capelas rurais e obras de assistência social, seriam custeadas ou por donativos de particulares ou por verbas enviadas pela ‘União Missionária Franciscana de Nova Iorque’.
De acordo com registros históricos “nunca se elogiará suficientemente a generosa colaboração prestada pela União Missionária. As vultosas somas destinadas, durante os anos para tal fim, acrescentadas às impor-tâncias gastas com as viagens, com a formação dos membros do Comissariado e seu sustento, constituem uma prova de cooperação fraterna entre a Igreja mais bem situada dos Estados Unidos e a carente do Brasil”.
Educação - A Escola Paroquial de Sant’Ana foi oficial-mente inaugurada, no dia 18 de fevereiro de 1946. Seu primeiro corpo docente compunha-se de: Frei Celso, Frei Conall, Ester Campos Amaral, Tarcila Faria de Góis, Maria Salomé Ramos e Diva Asmar.
A segunda ala do prédio do Ginásio, ainda em construção na data, havia sido modificada de tal maneira que no pavimento inferior foram construídas quatro salas de aula, ficando reservado o superior para o dormitório e futuro internato do Ginásio.
Seis professoras, todas formadas pelas irmãs Salesianas, na Escola Normal Auxilium, foram contratadas para lecionar sob direção de Ester Campos. Nesse primeiro ano de fun-cionamento, matricularam-se 280 alunos, sendo recusados muitos outros por falta de espaço.
Com a chegada de mais religiosas dos Estados Unidos, as irmãs
franciscanas estavam em condições de abrir seu segundo convento
goiano em Anápolis, para o ano letivo de 1948, sendo a comunidade composta
de três irmãs. Não era para cuidarem de uma escola e sim
de duas. Dentro da Paróquia de Sant’Ana, já estava sendo
construída, e quase em vias de conclusão, a Escola Paroquial de
Santo Antônio, ligada a capela filial, mas localizada na Avenida Tiradentes.
Convento- A construção do convento para os frades foi iniciada
no dia 12 de agosto de 1945. Destinado a servir de sede ao Comissariado, além
de resi-dência dos frades associados à Paróquia e ao Ginásio.
Em pouco mais de um ano, no dia 17 de outubro de 1946, ele foi inaugurado.
Na década de 50 se pensou em transferir o Comissariado para um lugar espaçoso. Assim em 1955, o convento de São Francisco tornou-se o Comissariado do Santíssimo Nome, em Goiás. Hoje a sede da Província do SS Nome de Jesus.
De Comissário à Província
Com as Constituições Gerais da OFM promulgadas em 1967 a entidade franciscana foi mudada de "Comissariado" para "Custódia". Já em 1970 se previa um decréscimo do número de frades pela simples constatação da idade avançada dos mesmos. O engajamento na formação e outras atividades pastorais absorviam mais Frades. Inclusive, todos os colégios passaram para a direção de religiosas.
Diante deste contexto teve início a intensificação do trabalho para se formar cada vez mais frades goianos. O primeiro noviço foi recebido em 1947, o segundo em 1953 e o terceiro em 1956. Com a fundação do Seminário Regina Minorum as admissões se tornaram mais regulares. Como era de se esperar, nos anos de renovação Pós-Conciliar, o passado foi examinado com certa severidade.
Na celebração dos 50 anos da Ordem em Goiás, em 1994, foi 'reconfortante’ para os frades rever com o ‘coração’ os passos mais significativos da caminhada. No tocante ao número de religiosos a curva descendente estacionou e começou a subir. Atualmente observa-se uma tendência a voltar-se mais para a identidade franciscana, buscando seguir o carisma de Francisco.
Em 2004, a Vice-Província se tornou Província do SS Nome de Jesus no Brasil. Atualmente ela conta com 40 frades professos perpétuos, nove professos temporários, três noviços, 10 postulantes e quatro aspirantes. A atuação dos frades se estende em 10 guardianatos: oito paróquias, seis escolas; três emissoras de rádio, três projetos sociais educativos para crianças e adolescentes. Nas escolas, os frades atuam como agentes de pastoral, ficando a administração a cargo de leigos ou religiosas.
Segundo o Ministro Provincial, Frei Wanderley Carvalho do Couto, a Província tem uma casa de acolhida de vocacionados, uma de Postulantado, o Noviciado interprovincial (juntamente com a Custódia do Sagrado Coração e das Sete Alegrias de Nossa Senhora) e uma casa de Pós-noviciado.
Hoje em dia, os agentes de pastoral estrangeiros que vêm atuar no Brasil costumam fazer curso no CENFI em Brasília, introduzido pelo Comissariado do SS. Nome de Jesus em 1960.Esse curso funcionou dois anos em Anápolis e depois foi transferido para Petrrópolis. Frei João Batista Vogel esteve na sua direção desde o início até fins de 1964. Hoje é ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Paróquia de Sant’Ana
O município foi edificado em terras doadas para a construção da então capela de Sant’Ana, por fazen-deiros da região do “Sítio do Monjolo”. Segundo registros históricos, entre tantas tropas de burros que por aqui passavam, a de Dona Anna das Dores foi especial, pois entre os objetos transportados, uma pequena imagem da santa esculpida em madeira por Veiga Vale, por um milagre ocorrido, quis aqui ficar para sempre.
Gomes de Souza Ramos, aqui chegou vindo de Bonfim (hoje Silvânia)
em 1870, para construir a Capela em louvor a Sant'Ana prometida por sua mãe.
No final de 1871, ela ficou pronta. Designado Capelão, veio de Pirenópolis
o Padre Francisco Inácio da Luz com autorização Diocesana
para benzer a nova Capela de Sant'Ana, o que aconteceu no dia três de
novembro de 1871.
A localização da Capela facilitou a freqüência de um
grande número de fiéis e já em 11 de março de 1872
os moradores, por abaixo assinado, reivin-dicaram a criação da
Paróquia. O documento foi levado a Goiás por Gomes de Sousa Ramos
e entregue ao Presidente da Província, Antero Cícero de Assis,
que atendeu ao pedido.
Pela “Lei Provincial n° 514 de 6 de agosto de 1873”
foi criada a Freguesia, transformando a simples Capela de Sant'Ana em Paróquia
de Sant'Ana. Seu primeiro Vigário foi o Padre Francisco Inácio
da Luz que voltou para Pirenópolis, sendo designado, como inspetor Paroquial
Gomes de Sousa Ramos e indicado Vigário o Padre Luiz Manuel dos Anjos,
que aqui chegou no final de 1876.
Grande reforma promoveu o Inspetor Paroquial no prédio da Paróquia,
concluindo-as no dia cinco de abril de 1879 e já no dia oito de junho
ela foi canoni-camente instalada, dia em que prestou juramento e tomou posse
o Padre Luiz Manuel dos Anjos. O grande desenvolvimento da Freguesia e aumento
da população justificou sua elevação a Vila de Sant'Ana
das Antas o que se deu pela Lei n° 811 de 15 de dezembro de 1887, graças
aos esforços de Gomes de Sousa Ramos e políticos de projeção
local.
O Padre Francisco Xavier da Silva foi Vigário de Sant'Ana em 1891, em
seguida Padre Enrique Isquerdo Oliveira foi autorizado por Dom Prudêncio
Gomes da Silva a reconstituir a Igreja. Depois ele foi sucedido pelo Padre Henrique
Isquerdo de Oliveira, que foi pároco por 11 anos. Atualmente, neste ano
em que Anápolis chega ao centenário, (2007), o Frei Marco Aurélio
da Cruz é o pároco, sendo os frades Frei Edgar Alves, Frei João
Mendes e Frei Juvenal Leahy os vigários.
A Paróquia de Sant'Ana se preocupa em prestar assistência social à população carentes da cidade, por meio de duas obras importantes: a Creche Célula Viva e a Casa da Solidariedade Cristã.É importante destacar também as pastorais que a compõem:Pastoral da Sobriedade, do Dizimo, Litúrgica, Familiar, Batismo, Saúde, Comunicação, Catequese. E os grupos de Jovens (Juta), Grupo de Paz, Grupo de Estudos Sal e Luz, Grupo de Coroinhas, Grupo de Vicentinos, Ministros Extraordinários da Eucaristia e Cursilho de Cristandade.